Sílvio Reis
Jornalista e Ballaieiro
Criativas e turísticas, ainda há poucas escadarias artísticas no mundo
 
Nenhuma novidade em divulgar as mais conceituadas escadarias artísticas de alguns países. Revistas, jornais, sites e blogs já elegeram as dez mais expressivas, outros selecionaram as 17 mais belas e ainda as 29 mais criativas do mundo. Tão atrativas e turísticas, por que existem tão poucas?
O custo colorido é acessível em relação ao benefício gerado. Tem artistas talentosos até demais para esse ofício. A desculpa do vandalismo não convence. O Brasil faz parte desta listagem seleta de países, com duas escadarias no Rio de Janeiro (2). A maior popularizada fica próximo dos Arcos da Lapa, com acesso ao bairro Santa Teresa. Mantém-se preservada e muito visitada por turistas desde o ano 2.000.
É uma arte de rua que não tem raízes nacionais. Países de diferentes culturas e poderio econômico optaram por escadarias artísticas, cada qual a sua maneira. Dos poucos exemplares existentes, Alemanha, França e Estados Unidos detêm três escadarias famosas em locais diferentes. Uma mesma cidade, como o Rio, Seul e Valparaíso há duas obras.
No Brasil, em vez de artista local, quem assinou os degraus e as calçadas laterais dos mosaicos coloridos da Lapa foi o chileno Jorge Selarón, que dá nome à escada (1), também conhecida como Escadaria do Convento de Santa Teresa. Contou com a colaboração da comunidade e de turistas.
Os Estados Unidos ostentaram grandeza na escadaria (3) do Museu de Arte de Filadélfia (Pensilvânia) para a exposição de Salvador Dalí, em 2005. Bem diferente da proposta quase reciclável dos mosaicos (4) em São Francisco (Califórnia), com 163 degraus trabalhados artisticamente.

Na Alemanha impera a diversificação. Pode se ver um corpo ousado na escada de Heidelberg (5) e ainda um personagem em Berlim, em que o desenho ocupa apenas uma parte do piso original (6).  A mais famosa é a escada de Wuppertal  (7), onde há em cada um dos 112 degraus mensagens que exprimem sentimentos, nomes de cidades e pessoas. 
França e Itália têm em comum as intervenções artísticas, com exposição temporária. Na escadaria Bela Montée St-Maurice, em Angers (8), foram usados 30 mil pedaços de papel, enquanto na  província italiana de Caltagirone, parte dos 142 degraus da Santa Maria do Monte  (9) recebem peças e vasos de cerâmicas durante a festa da flor, em maio. Já a obra francesa em Morlaix (10) já se tornou patrimônio público.
 
Em três países asiáticos predominam uma grande profusão de cores. Em Deir Atieh, Síria, há uma escada da paz (11), tão colorida quanto os degraus (12) de Istambul, na Turquia, e os de Beirute, no Líbano (13).


Nesta questão, Ocidente e Oriente estão unidos culturalmente . No Chile três escadarias ganharam notoriedade. Duas, em estilo bem diferenciados, ficam em Valparaíso (14). Uma delas, com degraus em preto e branco, reproduz visualmente o teclado de piano. A terceira está em Valdívia.
Do outro lado mundo, em Seul, capital da Coreia do Sul, o conceito clean da escadaria do Teatro Musical se difere de um trabalho popular de peixes que parecem nadar (15)
Três projetos ousados.  Em Londres (16), Ottawa no Canadá (17), e Auckland na Austrália (18) contrastam com um estilo tradicional (19) em Madri, Espanha, e parede de flores em Teerã, Irã (20).
 
Outros países possuem escadarias artísticas, mas ainda são poucas, muito poucas diante da quantidade de milhares de escadas “sem vida e sem arte” no  mundo afora.
 
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