Marcos Antônio da Silva Marques
Professor de Biologia e Ballaieiro
Adeus caixões!

Não é de hoje que os cemitérios convencionais vêm tirando o sono dos administradores das cidades, principalmente àquelas em que este acaba por não contar com mais nenhum espaço para novos sepultamentos, salvo as famílias que dispõem de jazigos. A primeira solução seria procurar uma nova área para construção de um novo cemitério e dar por encerrado o assunto. Porém, não é tão simples assim, por que de acordo com as leis ambientais recentes, a área que irá receber o novo cemitério deve ser submetida a um criterioso processo de estudo e posterior relatório de impacto ambiental, com o intuito de determinar  se tal área é propícia ou não a receber um cemitério, sendo que, ao ignorar tal estudo, este empreendimento pode trazer consequências catastróficas ao meio ambiente, como exemplo a contaminação de lençóis freáticos.
Este tipo de impacto ambiental já foi observado em vários locais do Brasil e do mundo, onde cidadão,s ao consumirem água mineral, constatavam que está apresentavam um aspecto turvo e as por vezes até meio gorduroso. Ao fazerem levantamentos da área comprovavam que tal nascente ou lençol estava contaminado por necrochorume, que é uma substância oriunda da decomposição de cadáveres e altamente poluente.
Apesar de tal assunto parecer uma novidade no Brasil, este já é pauta de inúmeras discussões, principalmente no continente europeu. Por se tratar de uma região habitada há muito mais tempo, e por consequência com muito mais cemitérios, e por possuírem uma reserva hídrica muito menor, o assunto ganhou força há muito mais tempo. No âmbito destes debates sempre surgem ideias mirabolantes no intuito de sanar tal problema sem deixar de lado o ecologicamente correto que está na moda.
Partindo do princípio de que “vida se transformando em vida, a morte fica em segundo plano”, os designers italianos, Anna Citelli e Raoul Bretzel, desenvolveram um projeto denominado The Capsula Mundi, o qual consiste em uma cápsula orgânica e biodegradável que é capaz de transformar um corpo em decomposição em nutrientes para uma árvore.
Primeiro, o corpo do falecido é colocado dentro da cápsula e então enterrado. Depois é plantado uma árvore ou uma semente por cima para aproveitar a matéria orgânica. Os idealizadores do projeto esclarecem que: “O PROJETO VEIO DA IDEIA DE CRIAR UMA ALTERNATIVA ECOLOGICAMENTE SUSTENTÁVEL PARA CAIXÕES, ONDE CADA CLIENTE PODE ESCOLHER SUA ÁRVORE FAVORITA, É A TRANSFORMAÇÃO DO CEMITÉRIO…EM UMA FLORESTA DE MEMÓRIAS! ISSO SEM DERRUBAR ÁRVORES PARA PRODUZIR CAIXÕES……MAS PLANTANDO VÁRIOS TIPOS PARA GERAR MAIS VIDA.”
Além de todo este benefício, tal projeto poderia também diminuir a quantidade de necrochorume no subsolo já que a matéria, ao ir sendo decomposta, serviria de nutrientes para a planta em desenvolvimento. Apesar de contar com adeptos na Itália o projeto ainda precisa ser aprovado pelo governo já que o país possui leis restritas sobre a forma de sepultamento. Mesmo assim não deixa de ser uma ideia excelente transformar cemitérios em lugares cheios de árvores (vida) é uma excelente maneira de resgatar boas lembranças das pessoas que se foram. O QUE VOCÊ ACHA DE SER ENTERRADO E DAR VIDA A UMA ÁRVORE? 

Publicado no Jornal da Região de Guaxupé
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