Sílvio Reis
Jornalista e Ballaieiro
Guaranésia recebe Emoções Coloridas de Henry Vitor a partir do dia 18
Com mais de 50 anos de uma carreira nacional e internacional, o artista plástico Henry Vitor tem optado por algumas experiências novas. É a primeira vez que ele expõe em Guaranésia, no recém-inaugurado Centro Cultural Profª Fernandina Tavares, com o título “Emoções Coloridas”.
Depois da abertura no dia 18, o público poderá conferir, de 19 a 25.11, um acervo de 36 telas, 18 poemas e 6 giclées (cópias de alta de altíssima definição sobre algumas obras). O horário é especial, das 9 às 21h.
É a primeira vez que Henry cria telas com temáticas específicas para Guaranésia. Ele pesquisou diversas fontes para chegar ao resultado de “Minha Cidade Guaranésia” e os “Contos de Santa Bárbara”. Na região, é a primeira vez que ele expõe telas e 18 poemas de autoria própria. Nem todas as 36 telas desta exposição terão o estilo naif, que o caracteriza. Há outros estilos. É a primeira no sul de Minas que ele traz a técnica giclée, para tornar acessível a aquisição de obras.
Dessa vez, ele não quer apenas receber visitantes. O artista está convidando grupos de estudantes de Guaranésia e cidades vizinhas para conhecer as obras e ainda terem uma palestra ou workshop. O mesmo vale para grupo de Terceira Idade e outras equipes interessadas em algum tipo de aprendizagem.
Depois de muitas exposições individuais e coletivas pelos mais conceituados espaços do país, ele ainda manteve uma carreira internacional em 12 países, com visitas recorrentes principalmente aos Estados Unidos e França. Outras foram ainda distantes: Japão e Coreia do Sul. É um artista global. Por essas e outras, Guaranésia terá uma exposição com 50 anos de muita vivência artística do artista guaxupeano radicado em São Paulo.
Esta exposição é uma realização do Conselho Deliberativo Municipal do Patrimônio Cultural de Guaranésia e do Departamento Municipal de Educação de Guaranésia. 
 
Aliança com a Vida
 
O jornalista, escritor e crítico de arte Walmir Ayala analisa a obra do artista guaxupeano: “Graças a uma técnica rigorosamente elaborada, Henry Vitor obtém a confiabilidade plena de sua fábula – nela somos introduzidos como "fruidores prazeirosos", nas paisagens fragmentadas de uma só paisagem onde queremos morar, porque a felicidade anda por ali. São colinas de verdes veludosos, águas mansas, céus de onde a tempestade emigrou para sempre. O pintor nos propõem uma aliança com a vida.”
 
Emoções da Volta
(poema que será exposto)
Com pinceladas miúdas, delicadas, busco a cor
dos jardins, da saudade, das distâncias.
O sol entra em minha vida, desperta os tons que dormiam
e tudo vira festa, manhã de bandeirinhas , cantigas no quintal.
Ao longe, o sino da catedral, lembra que é domingo,
dia de ver Deus.
Crianças correm pelos cantos procurando a bola, a pipa,
a cobra , o que ficou perdido, no tempo do ontem.
Uma casinha de colono aqui, outra acolá,
tudo rodeado de verde e de montanha.
Aqui, ali, a gente encontra o fruto doce, a  panela no fogo,
a porta aberta convidando para entrar e  ficar.
“Oh de casa!”
Um dedo de prosa combina com café quentinho, coado na hora.
Distante, distante, distante o trem apita uma saudade que dói.
Faz tempo que fui embora. Muito tempo. O café ainda era muda.
Hoje volto. 
É tempo de colher saudades.
Volto também para ver a casa de meu Deus.
Quem sabe ele me deixa ficar mais um pouco por aqui,
pintando as emoções da volta...
Você deixa meu Deus?
Deixa?   Deixa?    Deixa?


Fotos:
(Henry A) No ateliê de São Paulo, Henry faz acabamento final em uma obra
(Quem Planta Colhe) A tela Quem Planta Colhe, de 2015, tem 50x70 cm


 
 
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