TNB
Ballaio Soluções
Faço o que com a minha grinalda?
Faço o que com a minha grinalda?

Uma amiga (sempre elas!) de 38 anos, ficou apaixonada pela conversa e pelo bom português de um engenheiro, de 48 anos, que ela conheceu num site de relacionamento. Envolvida virtualmente já estava beijando a foto dele no celular. Enrolando o cara há um mês, com medo do castelo ruir, criou coragem e marcou um encontro. Então OK, terça, 18h, no Café Toscano. Muito prazer, muito prazer. Mais bonito que na foto, pensou ela. E passado os cumprimentos e os comentários sobre o tempo, não demorou o desabamento. Tudo o que ele não era atrás de seu teclado ou pelo celular, passou a ser naquele momento. Que divorciado voltou a morar com os pais, que dormia em sua antiga cama de solteiro, tinha dois filhos e que eles moravam com a ex, que pagava uma pensão absurda, que não sobrava dinheiro para nada, que ainda batia o ponto na hora do almoço, mas que estava “batalhando” uma promoção, e, por fim, que tinha apnéia. O mundo girou. Ela que até então estava praticamente calada, disse num fiapo de voz, que sua mãe a chamava pelo WhatsApp, e que infelizmente precisava ir embora. Ele pediu a conta, e nesse momento terminou de enterrar o príncipe. R$15,00 para cada um. A fogueira para esse indivíduo. Merece dormir para o resto da vida em cama de solteiro. O mais grave é que mesmo nesse cenário, as mulheres se mantem convictas de que talvez sejam elas as culpadas para um comportamento desse e depois eles sumirem. Mulher precisa de muita terapia mesmo. Rapazes, sejamos mais comedidos no relato de suas questões existenciais, sejam mais viris, e não apenas naquele sentido, para conquistar aquela mulher que vocês acharam tão bacana. Ou se não gostaram dela no encontro presencial, ainda assim sejam gentis e paguem o café com pão de queijo. Mas não vamos pensar que para os homens tudo é mais simples (embora eu ache que SIM, é muito mais simples!). Para eles, o inesperado e os equívocos também acontecem. Ele chega todo sério vindo de seu trabalho, e no primeiro encontro fora do virtual, a dita cuja aparece de legging brilhante com estampa de cobra e salto alto com a tal da meia pata. Fica difícil, fica muito difícil. Para apagar esse impacto visual, ela terá que ser a mais bela de todas as mulheres sobre a face da terra. Claro que situações comportam exceções, muitos homens adoram legging com salto alto. Mas como eu disse, são exceções, e essas derrapadas iniciais (e aqui é minha opinião pessoal!), costumam deixar marcas, até mesmo se ela for uma tremenda de uma boazuda. Se o homem for inseguro e com nível, vá lá, médio de exigência, ele vai pensar para prosseguir. O exemplo da legging parece frívolo, mas eu não preciso filosofar para todos entenderem aonde quero chegar. Voltando aos homens, penso sinceramente que, num primeiro momento, ou num segundo momento ou mesmo num terceiro momento, eles não pensam em princesas. O que os movem inicialmente, é a diversão e uma certa curiosidade, dentre elas, a de ver pessoalmente a dona daquela voz. O que vier depois é depois. O namoro vem depois, o casamento vem depois, etc e tal. Tudo depois! Incrível o universo masculino. O universo feminino é mais complexo, com raízes e troncos retorcidos agarrando nossas gargantas. Sair do primeiro encontro e tendo que guardar a grinalda na bolsa, nos traz tantas lágrimas que transformam Francesca (Meryl Streep) do filme As pontes de Madison, numa amadora. Mulheres lidam mal com a tal rejeição, até mesmo daquele cara que ela nunca viu na vida antes de conhecê-lo virtualmente, que a partir de então não disse a ela sequer uma frase do Fernando Pessoa, que apenas a convidou para um café, e que sabemos lá o porquê não fez mais contato. Então me digam: sentir-se rejeitada por esse homem, quase um desconhecido? Não pode ter sido simplesmente um encontro entre duas pessoas, para um “face to face” acompanhado de um café? Então menos pelo amor de Deus, pois não podemos esquecer o seguinte, quantos homens também não quisemos ao longo de nossas tentativas, virtuais ou não? E quantos também não frustramos por perceberem que escrevíamos melhor do que falávamos? E que a voz sensual não existia pessoalmente, e sim era o celular sempre com sinal ruim que fazia o efeito rouco tipo Monroe...Complexo o ser humano e dificuldades não faltam, para homens e mulheres. Vamos tomar um café?

Por: Sonia Cristina Scaquetti
Desenvolvido por DEC WebSites