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Brincar ou comprar? Eis a questão...
Brincar ou comprar? Essa é uma pergunta que me faço diariamente ao me deparar com crianças na rua ou até mesmo dentro da minha família. 
Na época da minha infância eu jogava bola, futebol de botão, jogava taco, rodava peão, brincava de queimadas, subia em árvores, jogava bolinha de gude, pega-pega, sem contar do carrinho de rolimã, esconde-esconde e assim por diante. Alguns amigos se divertiam com outras brincadeiras, mas sempre utilizando a imaginação. Eu gostava de colecionar bolinhas de gude e era muito difícil eu conseguir bolinhas dente de leite (quem jogava sabe qual é); um dia desses vi um saco de bolinas dente de leite por menos de R$5,00. Parei e pensei, o que está acontecendo com as crianças? Incomodado com esta situação, passei aproximadamente 6 meses analisando o comportamento das crianças e procurei perguntá-las sobre brincadeiras antigas. 
Resultado: na minha visão não existe mais infância. As crianças muitas vezes desconhecem brincadeiras, mas se você perguntar sobre algum aplicativo tecnológico, roupas da moda, novidades dos games e modelos de celulares, aí senta que lá vem história, são peritas. 
Aí vejo as propagandas infantis, é uma linguagem direta para os futuros consumistas. Mesmo com o avanço da internet, a TV continua sendo o objeto principal das casas brasileiras e mundiais. A publicidade conversa mais com seus filhos do que os próprios pais, afinal a vida está cada vez mais corrida para os adultos. O tempo e a atenção estão cada vez mais escassos. 
Será que podemos culpar apenas os pais? Não, isso é consequência do tal mundo globalizado, dessa padronização social imposta. 
Observo apenas a covardia nas propagandas, crianças são estimuladas para a prática consumista, vejo desejos serem implantados, a alegria e felicidade se tornam dependentes em adquirir algo e assim ser aceito na sociedade. Algo muito superficial e passageiro.
 A competição entre elas começa cedo. Esse estímulo desenfreado não estimula a imaginação das crianças. Tudo é pré-feito. Aí entendi o porquê das bonecas de hoje, antigamente as bonecas eram uma projeção da menina ser mãe, a mãe cuidando da sua filha dando banho, trocando e dando comidinha, mas e hoje? Hoje não, a preocupação é consumir e ser aceito em certo grupo social, afinal ninguém é mãe da Barbie. 
As crianças se tornaram mais precoces, namoram mais novas, querem tênis da moda, roupas de marca e celulares de ultima geração. São um projeto: “Boneco Ventríloquo de uma nação sem pensar, manipulada pelos que gostam”.
Vida de adulto sendo crianças, que chato, futuros amargurados. Se pela lei a criança não pode comprar nada por que ela é considerada incapaz na legislação, como admitir mensagens publicitárias persuasivas direcionadas às crianças? Algo para se pensar né?
No Brasil algumas mudanças estão tentando ser feitas, mas é meio lento em um país onde somos obrigados a amar o futebol e esquecer a importância da educação para nosso desenvolvimento.
 O PL 5921/2001, sobre regulação da publicidade infantil, chegou à Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJC) no dia 19 de setembro e ainda está sem relator designado. Normalmente, a indicação do relator acontece apenas alguns dias após a chegada de um projeto de lei em uma comissão. Foi o que pude encontrar no site do ALANA : (Instituto Alana é uma organização da sociedade civil sem fins lucrativos que trabalha para encontrar caminhos transformadores que honrem a criança).
Em países desenvolvidos, a regulamentação da publicidade infantil já funciona. Por exemplo, na Irlanda é proibida qualquer publicidade durante programas infantis em Tv aberta; na Bélgica é proibida a publicidade para as crianças nas regiões Flamencas e na Alemanha os programas infantis não podem ser interrompidos pela publicidade.
Tudo a ser pensado, a ser questionado e analisado. Aí eu reflito: os pais trabalham muito para dar sempre o melhor para seus filhos, mas será que os pais podem sempre dar o que os filhos pedem? A ausência do brincar e o estímulo ao consumo vão ajudar ou atrapalhar o desenvolvimento intelectual do meu filho(a)?  Será que essa geração de crianças ventríloquas estará preparada para os desafios da vida? Entenderá que a vida tem altos e baixos? 
Perguntas que não calam e me preocupam, por isso tive a vontade de escrever sobre esse assunto. Fico contente em ter vivido a minha geração. Geração essa que aprendi a sonhar e aprendi a acreditar nos sonhos. Quando cheguei à fase adulta, já estava minimamente preparado para os altos e baixos da vida, na teoria sempre sabemos, afinal temos os conselhos dos nossos pais. 
Fico triste em ver que as crianças de hoje não estão tendo a mesma infância que eu ou você, caro leitor, tivemos. 
Essa é a realidade do mundo atual, crianças precoces sendo preparadas para serem adultos escravizados do sistema globalizado.   

Por Régis Thiago
 
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