Henrique Brazão
Jornalista e Ballaieiro
Desculpe, Ronaldo
Ronaldo, você me fez chorar duas vezes. Em 98 chorei de raiva, de tristeza. Em 2002 chorei de alegria.
Emoções essas que só futebol nos traz.
Sabe, Ronaldo. Torci muito por você. Quando você estava lá fora, nas suas contusões e até na sua volta ao Brasil.
Quando você se aposentou eu sabia que estava vivendo um momento histórico onde um dos maiores de todos os tempos estava pendurando as chuteiras.
Ronaldo… Comemorei em 2006 quando você bateu o recorde de gols em Copa. Você merecia esse feito porque era genial em campo. Na eliminação contra a França eu quis te matar, mas o recorde era seu e mais que merecido.
Você foi gigante em campo, Ronaldo. Muito, mas muito, maior que esse Klose que hoje se “iguala” a você.
Quando a Copa veio para o Brasil, você, Pelé, Romário e tantos outros foram a favor.
Mais que isso, você participou do Comitê Organizador Local e é parte integrante desse grande espetáculo que estamos vendo na nossa casa.
Sim, Ronaldo. Você também fez isso. Para o bem e para o mal.
Você falou muita coisa que foi mal interpretada. Eu sei que você não quis falar que o Brasil não precisa de hospital e eu te defendi.
Bom… quem sou eu pra te defender ou pra te julgar? Ninguém. Um mero fã que viu seu ídolo desmoronar.
De uma hora pra outra, uma visita em sua casa, uma foto no Instagram e você mudou de opinião.
A Copa que você ajudou a fazer já não valia mais nada.
Tudo aquilo que você ajudou a sustentar era uma vergonha, como você disse.
Agora que a bola rola e estamos dando um show, você voltou a gostar da Copa.
Futebolizaram a política.
Politizaram o futebol.
E você entrou nessa.
Desculpe, Ronaldo, mas hoje eu vibrei com o gol do Klose.
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