Henrique Brazão
Jornalista e Ballaieiro
Obrigado, revista Caras
ESPECIAL: Por Gabriel Castro (Campineiro, pontepretano. Jornalista da Rede Século XXI. Produtor do ‘Século XXI Esportes’ e apresentador do programa ‘Hora do Jogo’

Antes de escrever sobre a minha Copa favorita, tenho que me render à de 2014. Que Copa deliciosa, emocionante, agregadora. Se em 2006 torcedores ingleses e alemães duelaram como se a Segunda Guerra Mundial não estivesse em nosso passado, em 2014 a Vila Madalena conseguiu manter dentro de seu perímetro (que não é dos maiores) um pouco de cada nação. Se em 2010 Dunga e Alex Escobar se estranharam logo no início, o Felipão precisou chegar às quartas de final para levantar a voz. Essa Copa no Brasil é festa, curtição e respeito aos pentacampeões. Assim que eu gosto.
Escrevo estas palavras surradas antes das semifinais acontecerem, mas desde já quero acreditar que essa é uma das melhores Copas do Mundo de todos os tempos. Não sei se a melhor, existo há bem menos tempo, meus 1991 não se compararam aos 1930, em que o mundialito (calma corintianos) começou a ser disputado. Ainda que com sessenta anos de atraso, continuo afirmando: uma das melhores de todos os tempos.
O mundial de 2014 bate recordes: mais gols marcados na fase de grupos; Mondragon, no alto dos seus 43 anos disputou, mesmo que no finalzinho, uma partida e pôde entrar para o hall da fama dos velhinhos do torneio; Asamoah Gyan (nada de Eto´o ou Roger Milla) conseguiu chegar ao patamar de maior artilheiro africano; Tim Howard fez incríveis 16 defesas diante da Bélgica, maior número em um jogo de Copa do Mundo, e por aí vai… Ótimo, são estatísticas, e elas ajudam a comprovar que a Copa de 2014 já entrou para a história. Ela foi/é simplesmente emocionante. 

Minha Copa inesquecível: 1994.
Eu ainda usava chupeta, mas foi minha primeira Copa do Mundo, e fui presenteado por ela com a minha primeira memória boleira. Não posso deixar de amá-la; como se eu tivesse nascido propriamente em 1994, a Copa me apresentou ao que hoje é o meu mundo (mentira, minha primeira lembrança foi no Moisés Lucarelli, mas para ficar bonito, tenho que falar que foi com a nossa seleção, e claro, em uma Copa).
Assisti às partidas daquela Copa sofrida com a família do meu pai; minhas lembranças são aleatórias, mas concretas: Lalas (meu ídolo de infância, talvez pela aparência), Leonardo, Bebeto, Romário, Taffarel (frangarel), Valderrama, camisa da Alemanha, Zagallo, muitos xingamentos e a festa. E festa nós sabemos fazer como ninguém.
Copa do Mundo é bacana porque reúne torcedores de todos os times e reúne também os secadores, que tanto adoro, são eles que aquecem e mantém as eternas discussões. Os do contra são foda.
Se o Brasil levantou seu caneco no dia 17 de julho, eu segurei o meu no dia 20, quando ganhei de dona Victoria (minha mãe) uma edição da revista CARAS. Não a Caros Amigos, a CARAS mesmo, a que hoje estampa em suas capas todo tipo de gente famosa, ou nem tanto assim. Mas a minha CARAS era especial: uma edição única e exclusiva sobre o mundial. Virou minha companheira, andávamos sempre juntos, ela sempre embaixo de meus braços. Desenhei nela inteira, todos os jogadores da seleção brasileira ostentam bigodes, cavanhaques, todo tipo de desenhos indecifráveis que apenas uma criança de três anos é capaz de produzir. Eu via aquelas figuras o tempo todo, dona Victoria me lia as escassas frases ali contidas. A CARAS virou o meu documento, o meu guia, minha maior lembrança daquela Copa, talvez sem ela 94 caísse no meu esquecimento. Que mané Gibi, eu queria olhar os grupos, resultados, nomes dos jogadores. A CARAS foi minha primeira relíquia do futebol, minha primeira memória palpável; aparentemente tudo era mais interessante em 94, inclusive revista de fofoca. Obrigado, revista Caras.

OBSERVAÇÃO:
Não leio Caras hoje.
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